Sexta-feira, Março 07, 2008

Sina

Por todas quantas estrelas
Tem o céu que possam mais,
Pelas flores virginais
De que se c’roam donzelas,
Pelas lágrimas singelas
Que o primeiro amor derrama,
Por aquela etérea chama
Que a mão de Deus acendeu
E que na terra alumia
Quando há na terra do céu!
Por tudo quanto eu queria
Quando eu sabia querer,
E por tudo quanto eu cria
Quando me era dado crer!    
Bem-fadada seja a vida

 

Que por esta folha branca
Sua Historia há-de escrever!
Que as dores lhe venham marcas
E com asas a prazer!

 

Esta sina que lhe dou,
Bruxa não na adivinhou,
Nem duende ma ensinou:

 

Li-a eu por condão
Em seus olhos inocentes,
Transparentes - Transparentes
Até dentro ao coração

 

Autor: Almeida Garrett
 
   
Escrito por mikako em 12:28:15 | Link permanente | Comments (0) |
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