Sina
Por todas quantas estrelas
Tem o céu que possam mais,
Pelas flores virginais
De que se c’roam donzelas,
Pelas lágrimas singelas
Que o primeiro amor derrama,
Por aquela etérea chama
Que a mão de Deus acendeu
E que na terra alumia
Quando há na terra do céu!
Por tudo quanto eu queria
Quando eu sabia querer,
E por tudo quanto eu cria
Quando me era dado crer!
Bem-fadada seja a vida
Sua Historia há-de escrever!
Que as dores lhe venham marcas
E com asas a prazer!
Bruxa não na adivinhou,
Nem duende ma ensinou:
Em seus olhos inocentes,
Transparentes - Transparentes
Até dentro ao coração
Tem o céu que possam mais,
Pelas flores virginais
De que se c’roam donzelas,
Pelas lágrimas singelas
Que o primeiro amor derrama,
Por aquela etérea chama
Que a mão de Deus acendeu
E que na terra alumia
Quando há na terra do céu!
Por tudo quanto eu queria
Quando eu sabia querer,
E por tudo quanto eu cria
Quando me era dado crer!
Bem-fadada seja a vida
Que por esta folha branca
Sua Historia há-de escrever!
Que as dores lhe venham marcas
E com asas a prazer!
Esta sina que lhe dou,
Bruxa não na adivinhou,
Nem duende ma ensinou:
Li-a eu por condão
Em seus olhos inocentes,
Transparentes - Transparentes
Até dentro ao coração
Autor: Almeida Garrett

