Sexta-feira, Março 07, 2008

Coquette dos prados

 Coquette dos prados,
A rosa é uma flor
Que inspira e não sente o
O encanto d’amor.

 

De púrpura a vestem
Os raios do sol;
Suspiram por ela
Ais o rouxinol:

 

E as galas que traja
Não as agradece,
E o amor que acende
Não o reconhece.

 

Coquette dos prados
Rosa, linda flor,
Porquê, se o não sentes,
Inspiras amor?

 

Autor: Almeida Garrett
Escrito por mikako em 12:38:36 | Link permanente | Comments (0) |

Sina

Por todas quantas estrelas
Tem o céu que possam mais,
Pelas flores virginais
De que se c’roam donzelas,
Pelas lágrimas singelas
Que o primeiro amor derrama,
Por aquela etérea chama
Que a mão de Deus acendeu
E que na terra alumia
Quando há na terra do céu!
Por tudo quanto eu queria
Quando eu sabia querer,
E por tudo quanto eu cria
Quando me era dado crer!    
Bem-fadada seja a vida

 

Que por esta folha branca
Sua Historia há-de escrever!
Que as dores lhe venham marcas
E com asas a prazer!

 

Esta sina que lhe dou,
Bruxa não na adivinhou,
Nem duende ma ensinou:

 

Li-a eu por condão
Em seus olhos inocentes,
Transparentes - Transparentes
Até dentro ao coração

 

Autor: Almeida Garrett
 
   
Escrito por mikako em 12:28:15 | Link permanente | Comments (0) |